Cada palavra que iria ser dita fora calculadamente pensada. Os olhos dela estariam nos meus,ela sabia o que a profundidade do seu olhar provocava,os meus estariam vagueando por todos os cantos do bar,procurando algo que pudesse se transformar em assunto. Eu estava nervosa. O que esperar desse encontro. O que dizer? elogiar a roupa,o cabelo. Dizer que quase morri de saudades , que vivi para aquele momento? Tudo isso já fora dito nas mil cartas que escrevi a ela.
Cheguei meia hora adiantada, escolhi uma mesa de canto. As janelas eram vitrais róseos que com muita precisão nos mostraria o por-do-sol, esse seria um bom assunto caso me faltasse as palavras.
Abri uma garrafa de vinho suave,tinto para combinar com minha camisa e com o desejo.
Três anos nos separaram. Três anos e uma escolha. Nem sempre se faz o que é melhor quando se ouve terceiros,isso eu aprendi.
Era uma ótima oportunidade,dessa que não se recusa,dessas que não aparecem duas vezes na vida de alguém comum,como eu. Precisava me agarrar a ela caso eu estava interessada em ser alguém.
Estava a vaguear pelas minhas memorias ,tanto, que não a vi entrar, se aproximar. Lá estava ela, a me observar de longe. Desde que nos conhecemos foi assim, quando meus olhos se prendiam a um ponto fixo ela sabia que eu estava longe , Ela ficava me olhando e esperava pacientemente eu olhar em sua direcção, olhar que era retribuído com a paz de um sorriso ,como quem diz ´´eu sempre vou esperar você voltar´´.
Agora estávamos ali, paradas uma de frente para a outra, ela me deu exatamente esse sorriso, a reação que tive foi chorar, deixei que minhas lágrimas dissessem que eu estava de volta,que eu me arrependo tanto por ter partido, que foi tudo tão mais frio, mais vazio. Tudo tão mais sem cor,sem vida.
Nos abraçamos longamente,senti as formas do seu corpo, sua respiração, e o perfume. E, sua voz me dizendo ´´acho que esse não é o lugar onde deveriamos estar´´ ao que eu respondi com um olhar de aprovação,ao que, ela prontamente tomou para si minha tremula mao ,me conduzindo ,não me importei ,estaria com ela onde quer quer fosse.
Havia me esquecido daquele lugar, que era o nosso lugar. Longe de tudo que não fosse nós. Um lugar escondido entre as arvores , não chegava a ser uma casa ,estava mais para um ninho, um ninho que ela fez questao de deixar como estava da ultima vez que ali estivemos ,para nos despedir.
Nos beijamos sem nada dizer. Soluços entrecortavam ambas as respirações. Nada foi dito. Nos amamos como se não houvesse amanhã, como se não houvesse nada mais que pudesse ser feito.

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