Numa noite assim,a brisa que inundava o quarto vinha de um mar iluminado pelos raios de prata da mais bela lua e o desejo não se conteve.Tudo começou num olhar distraído que,talvez,fosse para outra pessoa mas acabou caindo no seu olhar.
Não importa se foi acaso ou destino.O tempo parou,o coração pulsou, mãos,bocas,desejo.Desejo de um ser o outro.Palavras sussurradas entre o estalar dos lábios,entre os suspiros.
Fizeram amor como se não houvesse amanha.Se entregaram com tal avidez como se soubessem desde o inicio que o fim estava próximo,que mais cedo ou mais tarde a sensação de amar e estar sendo amado iria passar como tantas vezes já acontecera a ambos.Mais ali,não tinha passado nem futuro,apenas o instante,o encanto,corpos colados,mãos se procurando,bocas se perdendo..........Desejo,nada alem de desejo.Por saber que isso acabaria almejavam fazer daquele instante um eterno momento,como profetizou o poeta.
Sabiam que ao se levantarem,ao vestirem as roupas,ao abrirem a porta,nunca mais seria a mesma coisa,nunca mais haveria tanto desejo.E cada vez que pensavam nisso,se amavam mais se entregavam mais.
Mas ninguém pode deter a alvorada,o dia nasceu e enquanto um desaparecia na esquina o outro acordava e tudo que houve naquele quarto ficou guardado em algum ponto do tempo e,em breve,o perfume se desprenderia dos lençóis.
A chama apagou-se. Só restaram cinzas.

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